Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens

16 de jun. de 2011

(trecho de) Marchas da maconha: para além da neblina sensacionalista - Rafael Gil Medeiros e Ricardo André Cecchin

“No início deste milênio, São Paulo e Rio de Janeiro sediaram a Passeata Verde, e com a capilarização possibilitada pela internet, lembramos do Growroom [20] , fórum dedicado à cultura canábica, que reúne milhares de membros online, tendo precedido (e influenciado) o recente surgimento de muitos outros sítios sobre o assunto [21] . O fato é que a internet parece ter unido esse povo todo, facilitando a conexão entre pequenos guetos e a livre (e saudável) troca de saberes ainda clandestinos, potencializando-os [22]."

Rafael Gil Medeiros e Ricardo André Cecchin, em Marchas da maconha: para além da neblina sensacionalista (Gênero e drogas: contribuições para uma atenção integral à saúde / Instituto Papai / GEMA/UFPE, 2011)


[21] Pensamos fazer sentido incluir aqui não só sites de coletivos com os de São Paulo (http://coletivodar.wordpress.com) e Recife (http://filipetadamassa.blogspot.com), mas também os de cultura canábica geral, como http://ecognitiva.blogspot.com; http://hempadao.blogspot.com . Pedimos desculpas desde já por eventuais esquecimentos, mas vale a pena pesquisar nestas redes!

[22] VIDAL, Sérgio. Colhendo KylobYtes: o Growroom e a cultura do cultivo de maconha no Brasil. UFBA, 2010. Disponível em: http://slideshare.net/growroom/colhendo-kylobytes-o-growroom-e-a-cultura-do-cultivo-de-maconha-no-brasil-3404238 . Acesso em 20.04.10.

14 de fev. de 2011

pirata, eu? - zine película (editora bigode)

em tempo, corrigimos "pouco mais de 70% do território saneado" para "menos de 50% do território saneado"

20 de jan. de 2011

Jornal do Commercio - 20/01/2011



Uso de droga admitido por 15% da população - Jornal do Commercio (20/01/2011)


» PESQUISA
Uso de droga admitido por 15% da população
Publicado em 20.01.2011


Levantamento do Instituto Maurício de Nassau revela que 550 mil habitantes do Grande Recife já consumiram alguma substância entorpecente ilícita. Foram entrevistadas 815 pessoas, nos dias 6 e 7

Eduardo Machado
eduardomaxado@gmail.com

Pesquisa do Instituto Maurício de Nassau revela que 15% da população da Região Metropolitana do Recife já usou algum tipo de droga. Ou seja, cerca de 550 mil dos 3,6 milhões de habitantes do Grande Recife consumiram substâncias entorpecentes ilícitas. Cinco por cento da população, o equivalente a 184 mil pessoas, admite ser usuária frequente de entorpecentes. Apesar disso, 94% dos entrevistados são contra a descriminalização das drogas.

A pesquisa entrevistou 815 pessoas, nos dias 6 e 7 de janeiro, nos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife. A margem de erro para o levantamento é de 3,5 pontos percentuais e o nível estimado de confiança no resultado é de 95%.

De acordo com o professor da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador da pesquisa do Instituto Maurício de Nassau, Adriano Oliveira, o estudo revela alto consumo de droga na Região Metropolitana do Recife. Para Oliveira, um dos dados mais reveladores é o de que, mesmo com 12% dos entrevistados admitindo ter experimentado maconha, esse percentual pode ser maior, já que 58% dizem conhecer usuários frequentes da erva.

“Muitas vezes a pessoa pode ter ficado intimidada em admitir para o entrevistador que experimentou ou é usuário da droga. A partir do momento em que 6 entre 10 entrevistados afirmam conhecer pessoas que usam drogas, isso nos leva a crer que há um alto consumo de maconha no Grande Recife”, avaliou o coordenador da pesquisa.

Outro ponto importante destacado por Adriano Oliveira é a possibilidade de crescimento do percentual de usuários de crack e cocaína. “Pernambuco vive um momento de incremento da economia e de mais pessoas tendo melhoria de renda. Isso pode favorecer a expansão do mercado consumidor de entorpecentes, que ainda está concentrado na maconha”, concluiu Adriano Oliveira.

O coordenador do estudo visualizou também a necessidade de uma campanha de esclarecimento em torno da descriminalização das drogas. “Menos de 25% dos entrevistados sabem que descriminalizar significa não ser crime consumir drogas”, pontuou Adriano Oliveira.

A maioria dos entrevistados faz uma ligação direta entre drogas e violência. Para 62% da população, traficantes e usuários são culpados pela violência decorrente do comércio ilegal de entorpecentes. Somente 21% atribuem a culpa exclusivamente aos criminosos e 5% aos dependentes químicos.

Mesmo com a mudança na lei, ocorrida em 2006, que passou a não punir com prisão os usuários, 44% dos entrevistados acham que pessoas flagradas consumindo entorpecentes devem ir para a cadeia.

A pesquisa anotou no Grande Recife a existência de seis tipos de drogas mais comuns. Maconha, cocaína, crack, loló, LSD e oxi. Estes dois últimos mais raros. O LSD é um ácido que tem a apresentação mais comum de um microponto com menos de um grama e é consumido por via oral.

Já o oxi é mais um subproduto da cocaína misturado com substâncias ainda mais danosas do que as presentes nas pedras de crack. Também é fumado em cachimbos pelos usuários.

A íntegra da pesquisa pode ser acessada a partir de hoje pelo www.institutomauriciodenassau.com.br

VOCÊ É FAVOR DA LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS?

» SIM
“Intenção é desentupir as cadeias brasileiras”

Neco Tabosa
“Dá pra sentir que algo de bom nos espera no futuro do Brasil. Lentamente a sociedade começa a enxergar com mais clareza algumas diferenças. Que usuário de droga não é traficante. E que existe algo de errado com uma lei que prende negros pobres e é ‘melhor interpretada’ por policiais e juízes para favorecer brancos com dinheiro. O governo federal avança na discussão que pode reescrever a lei. O novo secretário nacional de Políticas sobre Drogas, Pedro Abramovay, mal assumiu e já defendeu a aprovação do projeto que prevê o fim da prisão para pequenos traficantes. A intenção é desentupir as cadeias brasileiras, que podem receber cerca de 10 mil pessoas por ano até 2015! Todas ligadas ao tráfico de pequenas quantidades. E que podem ser atendidas por penas alternativas ao encarceramento. No atual cenário de política de proibição das drogas, só quem sai fortalecido é o mercado ilegal dessas substâncias. Com a proibição, o traficante precisa usar armamento pesado, a polícia é passível de corrupção, o usuário pode levar tapa do vendedor ou do órgão repressor, e a bala perdida sempre sobra pra quem não tem nada a ver com a história. Sem contar no retrocesso da ciência, com centros de pesquisa impossibilitados de estudar uma planta como a Cannabis sativa e seus fins medicinais. Um bom – e possível – começo é fazer com que a produção, pesquisa, uso medicinal ou consumo religioso de Cannabis deixe de ser prática criminosa A mudança é fundamental para o fim de anos de tabu e sinaliza um futuro menos violento e mais harmonioso. Para todos.”

» Neco Tabosa é jornalista e um dos organizadores da Marcha da Maconha no Recife.

» NÃO
“Descriminalização da maconha é um erro”

Wilson Damázio
“A lei atual já avançou bastante nesse particular. Hoje, o usuário flagrado consumindo drogas responde apenas a um termo circunstanciado de ocorrência. Temos uma legislação que protege o dependente químico e pune o traficante. Todos os países que descriminalizaram as drogas não obtiveram bons resultados e agora estão repensando a medida. Falando especificamente da maconha, há uma tendência a se defender a descriminalização porque seria uma droga ‘leve’. No entanto, a imensa maioria dos usuários de crack, por exemplo, começou a utilizar entorpecentes a partir da maconha. Os malefícios da maconha aos usuários são tão evidentes que a Organização Mundial da Saúde mantém a droga no rol de substâncias proibidas. Do ponto de vista policial, a descriminalização pode favorecer a atuação dos traficantes. Os criminosos vão passar a recrutar vários transportadores com porções de drogas dentro das quantidades permitidas e burlar a lei. Isso aumentará o tráfico. Teremos um boom que vai causar um impacto terrível na nossa sociedade. Acredito que a descriminalização é um erro que pode trazer consequências graves para o País como as que já são enfrentadas por causa do álcool e do cigarro. São dois exemplos de drogas com acesso livre cujos problemas decorrentes fazem os cofres públicos gastarem bilhões de reais por ano em tratamento de dependentes e com danos causados por acidentes.”

» Wilson Damázio é delegado da Polícia Federal e secretário de Defesa Social.

29 de dez. de 2010

email para dois políticos (enviado aos gabinetes) - marcha da maconha 2011

ATT: Delegado Laerte Bessa (infeliz deputado)


Com cópia para: Carlos Minc (feliz ministro do meio ambiente - feliz até demais!)



Sr. Delegado,
Solte esta mulher. Eu preciso dela cedinho, pra fazer o meu café.
Sr. Delegado,
Mas o que eu posso fazer? Ela estando na cadeia, falta em casa o que eu comer.

Mas veja bem você (tão acostumado aos tratamentos de excelência!): Não tem mais o que fazer?

Bem que poderia criar uma nova lei. Uma lei que ninguém seguiria, pois é fato a inutilidade de seu papel quanto cidadão.
Ora mais! Você foi inventar de ser político!

político!?
não haria de ter uma profissão melhor? mais prestigiada... mais próxima da população... mais séria... mais útil...

O senhor (tratamento nominal dado ao fato da diferença de idade, não há qualquer menção de respeito hierárquico aqui) poderia continuar sendo delegado, seja lá onde for. Mas além de delegado (haja vista que pior que político só sendo policial e político) resolveu legislar. Mas o senhor (sem qualquer respeito hierárquico) resolveu que além de não saber como desempenhar o papel legislador, acha pouco e questiona a constituição.

Deixe-me explicar melhor: Tu (sinceramente: te chamar de sr. é muito difícil) devias saber (já que és delegado e deputado) que existe um livro chamado "constituição". Este livro (também conhecido como carta-magna) é composto dos princípios básicos que cada cidadão deve seguir para que a sociedade se auto-regulamente. Isto significa que a sociedade (pelo menos teoricamente) constitua regras para auto regularmentar-se (espero, sinceramente, que entendas alguma coisa sobre flexões adverbiais) (espero também que saibas sobre o uso de apostos e parentesis, já que me utilizo deveras deles - a propósito: sabes o que siginifica deveras. Não?).

Vocês deputados (aqui pra nós: que profissãozinha!) deveriam conhecer este livro. Tomarei a liberdade de indicar uma biblioteca que possue tal publicação (que vossas exelências - se é que encaixam-se nestes termos - deveriam freqüentar): BIBLIOTECA DO CONGRESSO FEDERAL. Fica bem pertinho do seu escritório, nem precisa de passagem superfaturada pra ir. Se bem que prefiro a sobretaxa no elevador do que o envio de filhos, sogras, netos, cunhadas e até o zé doidin pra disneylândia.

Neste livro diz o seguinte:
"é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"
Imagine só!!! Já pensou!? Eu posso escrever até este email e não há nada legal que me negue este direito!
Isto é dito (eu sei que conheces pouco o tal testamento) no TÍTULO II Dos Direitos e Garantias Fundamentais CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS; parágrafo IX.

Não deveria estar te explicando isto (já que és bacharel em direito, delegado e deputado - um coquetel infeliz de profissões). Mas vamos lá: siginifica que qualquer um pode reclamar da lei que não o assiste. Ou que o descrimine. Ou mesmo o oposto: reclamar

DROGAS
PREVENÇÃO DE DROGAS E DIREITOS DE USUÁRIOS
Lei 4074/03 – Estabelece diretrizes para a prevenção, o tratamento e os direitos dos usuários de drogas e dependentes químicos, com o objetivo de evitar a humilhação e a discriminação. Garante acesso à informação e aos serviços de saúde, integra as famílias e escolas, combatendo a hipocrisia dominante que impede a assistência aos dependentes. Determina apoio aos servidores com dependência para a superação, sem exclusão.

ps. Mando este email com cópia ao gabinete do ministro Carlos Minc. Não que me interesse sobre o papel político deste ministro ou ministério. Cada vez que ouço ou vejo tal asneira que você, e tantos outros seres humanos (principalmente os políticos e policiais), fazem ou dizem, fico mais convencido de que nós, humanos, temos mesmo é que sumir e devemos deixar espaços para QUE AS PLANTAS VINGUEM!

E sei que haverão, ao menos, dois emails oficiais (pelo menos menos) que receberão alguma prova para assegurar minha integridade!
afinal de contas tu é delegado e político (quem tem ânus tem medo!)

diogo todë, por email aos políticos citados [com cópia para este filipeta]

13 de dez. de 2010

ainda a guerra sem fim - joão ubaldo ribeiro


pense num baiano preciso!
clap clap clap!!

7 de dez. de 2010

12 de out. de 2010

Why are the effects of marijuana so unpredictable? - Jonah Lehrer @wired.com


Alcohol is mostly predictable. When we drink a beer (or three), we usually have a pretty good sense of what it’s going to feel like. We can anticipate the buzz, the slackening of self-control, the impaired motor movements and the increased mind-wandering. In part, this is because alcohol is a tightly regulated psychoactive drug, and the alcohol content is clearly printed on every bottle. We also sense alcohol directly, so that the potency of a hard liquor tastes different than that of weak light beer. When we drink, we generally know how drunk we are going to be.

But not all drugs are so predictable. Consider marijuana, which can trigger dramatically different symptoms depending on the strain and context. It’s long been known that different strains of the drug contain various amounts of Tetrahydrocannabinol (THC), the main psychoactive ingredient. When people talk about the effects of the drug – such as giddiness, the munchies, and a sudden desire to watch The Big Lebowski – they’re typically referring to the effects of THC. (Interestingly, the same chemical can also make us paranoid. More on that later.) But THC doesn’t work alone – marijuana also contains cannabidiol, a compound associated with calm and relaxation. The ratio of THC to cannabidiol seems to be the key variable: Skunk-type strains, for instance, contain a higher ratio of THC to cannabidiol than, say, marijuana byproducts like hashish.



28 de set. de 2010

10 mitos e 10 verdades sobre a legalização da maconha - www.renatocinco.com.br

friquinique*, por eduardo medeiros

1o Mito
A Maconha é uma porta de entrada para outras drogas.

Verdade:

Existem drogas que potencializam o efeito de outras drogas. É o caso da cocaína e álcool. O efeito da maconha, porém, é inibido pelo uso de outras drogas. Por isso é improvável que a maconha por si suscite o uso de outras drogas. O que às vezes ocorre é que a marginalização dos consumidores de drogas os torna companheiros de discriminação favorecendo a identificação entre grupos. Esse mesmo efeito também ocorreria com os consumidores de álcool numa eventual proibição deste. A maconha, entretanto, não perde o efeito e nem leva ao consumo de drogas mais pesadas. A Holanda, único país que legalizou o consumo da maconha, serve de exemplo internacional neste sentido. A legalização da maconha não aumentou o consumo de heroína, cocaína ou qualquer outra droga. Os consumidores de cânhamo são consumidores de cânhamo. Quando muito possuem interesse pelo chá de cogumelo. Na década de 1960, culturalmente os usuários da cannabis também utilizaram LSD nos EUA. Mas isso foi uma característica cultural e não um efeito químico da droga.


*o preço da maconha na ilustra não deve ter sido propaganda eleitoral intencional, mas... nunca se sabe!
dadas as condições da conjuntura atual, o filipeta prefere não declarar o voto pra não dar merda.
#gabeiraBADfeelings


14 de jul. de 2010

Cientistas fazem carta pró-maconha - folha de são paulo


da Folha de São Paulo
para acompanhar o caso de Pedro Caetano, acesse o Growroom

Um grupo de neurocientistas que estão entre os mais renomados do país escreveu uma carta pública para defender a liberalização da maconha não só para uso medicinal, mas para "consumo próprio", informa Eduardo Geraque em reportagem publicada na edição desta quarta-feira da Folha (íntegra disponível para assinante do UOL e do jornal).

A motivação do documento foi a prisão do músico Pedro Caetano, baixista da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, que ganhou repercussão na internet. Ele está preso desde o dia 1º sob acusação de tráfico por cultivar dez pés de maconha e oito mudas da planta em casa, em Niterói (RJ). Segundo o advogado do músico, ele planta a erva para consumo próprio.

Os cientistas falam em nome da SBNeC (Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento), que representa 1.500 pesquisadores. De acordo com os membros da sociedade, existe conhecimento científico suficiente para, pelo menos, a liberalização do uso medicinal da maconha no Brasil.

Veja a íntegra da carta:

"A planta Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, é utilizada de forma recreativa, religiosa e medicinal há séculos mas só há poucos anos a ciência começou a explicar seus mecanismos de ação.

Na década de 1990, pesquisadores identificaram receptores capazes de responder ao tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da maconha, na superfície das células do cérebro. Essa descoberta revelou que substâncias muito semelhantes existem naturalmente em nosso organismo, permitiu avaliar em detalhes seus efeitos terapêuticos e abriu perspectivas para o tratamento da obesidade, esclerose múltipla, doença de Parkinson, ansiedade, depressão, dor crônica, alcoolismo, epilepsia, dependência de nicotina etc. A importância dos canabinóides para a sobrevivência de células-tronco foi descrita recentemente pela equipe de um dos signatários, sugerindo sua utilização também em terapia celular.

Em virtude dos avanços da ciência que descrevem os efeitos da maconha no corpo humano e o entendimento de que a política proibicionista é mais deletéria que o consumo da substância, vários países alteraram, ou estão revendo, suas legislações no sentido de liberar o uso medicinal e recreativo da maconha. Em época de desfecho da Copa do Mundo, é oportuno mencionar que os dois países finalistas, Espanha e Holanda, permitem em seus territórios o consumo e cultivo da maconha para uso próprio.

Ainda que sem realizar uma descriminalização franca do uso e do cultivo, como nestes países, o Brasil, através do artigo 28 da lei 11.343 de 2006, veta a prisão pelo cultivo de maconha para consumo pessoal, e impõe apenas sanções de caráter socializante e educativo.

Infelizmente interpretações variadas sobre esta lei ainda existem. Um exemplo disto está no equívoco da prisão do músico Pedro Caetano, integrante da banda carioca Ponto de Equilíbrio. Pedro está há uma semana numa cela comum acusado de tráfico de drogas. O enquadramento incorreto como traficante impede a obtenção de um habeas corpus para que o músico possa responder ao processo em liberdade. A discussão ampla do tema é necessária e urgente para evitar a prisão daqueles usuários que, ao cultivarem a maconha para uso próprio, optam por não mais alimentar o poderio dos traficantes de drogas.

A Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) irá contribuir na discussão deste tema ainda desconhecido da população brasileira. Em seu congresso, em setembro próximo, um painel de discussões a respeito da influência da maconha sobre a aprendizagem e memória e também sobre as políticas públicas para os usuários será realizado sob o ponto de vista da neurociência. É preciso rapidamente encontrar um novo ponto de equilíbrio."

Cecília Hedin-Pereira (UFRJ, diretora da SBNeC)
João Menezes (UFRJ)
Stevens Rehen (UFRJ, diretor da SBNeC)
Sidarta Ribeiro (UFRN, diretor da SBNeC)

4 de mai. de 2010

Jornais tendenciosos e secretários que engolem corda: o desserviço da cobertura da marcha da maconha do Recife - www.ombudspe.org.br

Por Neco tabosa, editor do www.filipetadamassa.blogspot.com e do Fino da Massa

Renato Cinco é carioca e formado em sociologia. Gilberto Borges é recifense e historiador. Dois dos organizadores das marchas da maconha mais importantes do Brasil nessa primeira década do século XXI simplesmente não entendem como eles parecem conhecer melhor os princípios do jornalismo do que os repórteres e editores que cobrem o assunto nos jornais de grande circulação.

“No Rio, como no Recife, os jornalistas que vão cobrir as marchas têm uma vaga noção do que está acontecendo” diz Cinco. Diante dos textos publicados no dia seguinte à marcha do Recife, a pedido do Ombudspe, os dois fizeram considerações à cobertura. As informações desencontradas vão do número de participantes ao total desconhecimento (manipulação?) dos termos corretos para diferenciar manifestantes de infratores.

“A gente já sabia que os jornais iam tratar o assunto assim. Se falam dos usuários o ano inteiro de forma preconceituosa, porque ia ser diferente na marcha?” pergunta Gilberto.

A Rádio Jornal e o “panfleto ensinando a fumar maconha”

Em 2010, a maré de informações mal apuradas despontou nas ondas do rádio. Cinco dias antes da marcha no Recife, o radialista Geraldo Freire recebeu no estúdio da Radio Jornal o Secretário – empossado há menos de uma semana na Secretaria de Defesa Social – o linha dura Wilson Damásio. No finzinho da entrevista, surge a provocação.

“O Senhor sabe que esse ano vai ter no Recife uma passeata chamada marcha da maconha? Que já tem data marcada e a organização já está distribuindo panfletos ensinando a fumar maconha?”

No susto, o Secretário engole a corda.

“Isso é uma atividade criminosa, a difusão desse tipo de entorpecente é considerada crime pela nossa lei especializada da área. Vamos trabalhar junto com as Polícias Militar e Civil para que isso não ocorra Não podemos, de forma nenhuma, concordar com esse tipo de manifestação. (…) Vamos fazer o possível para proibir”

O repórter Eduardo Machado puxa a corda lançada pelo companheiro e o Secretário dá uma rebolada pra não dizer nem sim nem não.

“Então está proibida a Marcha da Maconha no Recife?”

“A marcha pode ser feita desde que não traga nada que configure crime. (…) É dever da Secretaria de Defesa Social reprimir esse evento, no entanto, vamos consultar o Ministério Público sobre o tema e acatar a decisão que eles tomarem sobre o assunto”.

Pronto. Não adiantava mais explicar que a policiais não fazem leis, só cumprem leis e acatam interpretações sobre pontos polêmicos conforme decisões julgadas em fóruns como o Ministério Público. Que o “panfleto ensinando a fumar maconha” se tratava de dicas de redução de danos aplicadas à saúde dos usuários de maconha, como manda a cartilha do Ministério da Saúde, e sob a linha de ‘informação sem frescura’, que posicionou o Brasil em lugar de destaque no mundo no enfrentamento à propagação da Aids.

“Assim, esse radialista está fazendo política. Não jornalismo. Parece ate a Veja falando do MST” avalia Renato Cinco.

Gilberto Borges representa a Se Liga! – primeira associação de usuários de álcool e outras drogas da América Latina, entidade que assinou as dicas de redução de danos “Isso é uma opinião ou só jornalismo sem investigação? Daquele que não apura com os dois lados envolvidos? Até eu sei que isso vai de encontro aos manuais de jornalismo. (risos)

A peleja da desinformação

Depois dessa transmissão, nos jornais impressos, a questão passou a ser a polêmica peleja do Secretário contra a organização da marcha da maconha.

No dia seguinte à declaração, os promotores do Ministério Público – apesar da sede de proibição do Secretário – anunciaram que não pretendiam entrar com representações para impedir a realização do ato. E publicou em nota à imprensa: “Não é razoável presumir que a simples realização da marcha estará atrelada à prática de crimes (como apologia e uso de maconha)”

No mesmo dia, organizadores da marcha foram recebidos – por 15 minutos – pelo Secretário.

As notícias publicadas faziam crer que a marcha só foi liberada porque o Secretário teria proibido o uso de maconha no ato…

“A marcha da maconha (…) no Bairro do Recife, vai acontecer, mas será proibido o consumo da erva durante o evento. Pelo menos esse foi o entendimento entre os organizadores e o Secretário Wilson Damázio.” – Jornal do Commercio, 30/04/2010

“Fica parecendo que a intenção desse tipo de cobertura é construir uma imagem de que a marcha é um lugar pra fumar. Ao contrario do que a organização – e a legislação brasileira, desde os anos 60 – pregam.” aponta Renato Cinco.

Manchete de capa: Usuário é preso na marcha

A informação: houve uma infração criminal na concentração da Marcha da Maconha do Recife em 2010. Edielson Gomes, artesão de 24 anos foi flagrado com 5 (cinco) gramas de maconha. Ele foi encaminhado ao Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado.

As distorções espalhadas pelas páginas dos jornais fizeram as matérias sobre a marcha parecerem jogos dos 7 erros dos cadernos de cultura. Vejamos.

Erro 1: O usuário foi detido para investigação e liberado em seguida. Não foi preso.

Desde 2006, de acordo com a lei 11.343, usuários de drogas não são mais privados de liberdade por essa infração. Quem for flagrado com quantidades interpretadas como “para uso próprio”, e não para tráfico, são detidos para investigação. Não são mais presos.

“A marcha é um ato coletivo. Ordeiro, respaldado pela Constituição Federal de organização pública e manifestação do pensamento. Uma pessoa fumando na marcha é um ato pessoal isolado. Infração que contraria a orientação da organização de não fumar no ato” Renato Cinco.

Erro 2: algumas matérias que cobriram a marcha não foram assinadas

Reportagens assinadas pelos autores facilitam a identificação de eventuais falhas na apuração. Essa prática de suprimir a autoria do texto é usualmente associada a “determinações” dos editores ou da direção do jornal para comprovar algumas teses. Como a de que a marcha da maconha é hora e local para se fazer uso dos baseados.

Erro 3: “Ano passado, quando não havia proibição do uso da erva (a marcha) contou com cerca de mil pessoas” - Jornal do Commercio, 03/05/2010

Wilson Damásio proibiu o consumo de maconha no Recife a partir de 2010? Ou o Jornal legalizou os baseados nos anos anteriores? Não ficou muito claro…

“E a lei brasileira permitia o uso de maconha no ano passado? Quem liberou? O JC?” (risos) Gilberto Borges.

Erro 4: “…segundo a polícia, ele (o artesão detido) portava um dólar (sic) de maconha”

Dóla / dólar ou dolinha são substantivos femininos. Qualquer maconheiro sabe disso. O jornalista invisível não?

Erro 5: “…os participantes gritaram palavras de ordem como ‘Um, dois três / quatro, cinco mil / queremos que a maconha legalize no Brasil”

Outro erro semântico. Mas esse foi bem reproduzido pelo jornal, a culpa é toda dos manifestantes. Eles não querem que a maconha SEJA LEGALIZADA no Brasil? Querem que a maconha legalize? Que a maconha legalize o que? E mais importante, como a plantinha vai fazer isso?

Erro 6: Mais de 50 policiais fardados e à paisana. Mais de duas dezenas de viaturas, motos e um helicóptero acompanharam a marcha.

Em dia de clássico entre Sport e Náutico, para evitar eventuais brigas entre torcidas… o efetivo da policia não seria melhor utilizado nas imediações dos estádios? A marcha da maconha nunca registrou uma briga em três anos de realização no Bairro do Recife. E o acompanhamento a passeatas como as do movimento LGBT, de entidades feministas ou da cultura Afro são escoltados por muito menos policiais. Se não foi errada, a decisão do Secretário não foi – ao menos – exagerada?

Erro 7: “Políticos que defendem a causa tomaram a palavra ao microfone conectado ao carro de som”

O jornalista invisível preferiu mesmo usar o espaço de cobertura da marcha para aproximar os leitores do enigmático sistema elétrico de propagação de som?? Nesse caso a intenção é nobre e ele ta é certo. Essa frase não merece estar nesse jogo dos 7 erros. Eu que devo estar errado de tentar me informar sobre o que realmente aconteceu na Marcha da Maconha pelos jornais recifenses.

10 de abr. de 2010

A Mídia da Maconha - lula falcão

do blog de lula falcão

No Brasil, a maconha pode estar longe da legalização, mas já existe uma mídia alternativa em luta aberta pela causa. São os casos dos blogs Hempadão, Filipeta da massa, Adão e Erva, Hemptube, Pé em Marcha, Growroom e da Rádio Legalize. O noticiário é variado: informações científicas, música, notas sobre a próxima marcha da Maconha e até promoções especiais, como o concurso da Miss Marijuana 2010, já com 14 candidatas inscritas. Também há fanzines, como o Tarja Preta, cujo principal personagem, o Capitão Presença, tornou-se um ícone do movimento.

A mídia da maconha apresenta-se como apartidária e multidisciplinar. Enquanto o Growroom é mais voltado para a defesa do plantio e da utilização medicinal da planta, a Rádio Legalize oferece variada programação musical, com destaque para o reggae e o hip-hop. De vez em quando, um flash no twitter: “polícia prende três em Nova Xavantina”, por exemplo. Já o Filipeta da Massa ainda repercute a morte do cartunista Glauco, especialmente para desancar a cobertura do caso feita pelas revistas Veja e Época. “O essencial é que essa mídia está se tornando um grande fórum sobre a questão das drogas”, afirma um assíduo navegador desses blogs.

Claro que não poderia faltar política. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um potencial aliado, já não merece tanta confiança dos veículos maconheiros. Tudo porque decidiu fazer silêncio sobre a revisão das políticas para o consumo de drogas até o final da campanha eleitoral deste ano. “Não podemos depender de ternos e gravatas”, lamenta o autor da matéria sobre FHC no Hempadão. “Nossa causa é urgente”. A área de comentários está lotada, com mais de 50 intervenções de internautas sobre a postura de Fernando Henrique. “Pode ser mera viagem minha, mas é foda”, lamenta um leitor. “Se eu fosse político, preferiria ficar em silencio durante a eleição e depois de eleito agir”, contemporiza outro.

_lulafalcao

2 de fev. de 2010

Euphoria (France)



O festival Euphoria, que acontece(ou aconteceu) na França, não é exatamente um festival de cultura. O evento se trata de um festival de agricultura, ou simplesmente de agricultores franceses de cannabis que se reúnem numa competição na comunidade Basse sur le Rupt, na cidade de Vosges.
O encontro dura um fim de semana inteiro com o intuito de eleger a melhor maconha do ano na França. Além de fumaça, o evento promove concertos, teatro, concurso de acochadores, e comidas à base da erva: "bolo canábico", "trufa à ganja", etc..
Tudo começa com a inscrição dos produtores, que deve fornecer pelo menos 12 gramas da sua produção. A degustação acontece durante a madrugada por uma banca responsável por eleger o grande campeão.

*No fim do vídeo, um repórter indaga os moradores da região, na saída da missa dominical, sobre o evento. Depois de falar com algumas pessoas que não estavam sabendo do evento, o entrevistador encontra o proprietário do espaço alugado pra o evento, que afirmou que: "não sei sobre cannabis cup, apenas passei por lá ontem a noite e vi um evento bastante calmo, com teatro e concertos.." :D
**Segundo o governo francês, existem 100 mil cultivadores clandestinos na frança, e 7 milhões de consumidores da erva.

vídeo enviado por Felipe Baiano, maconheiro franco-brasileiro..

14 de dez. de 2009

Cannabis Cup 2009

Há algumas semanas, recebi em minha casa um amigo que se preparava pra chegar na Cannabis Cup, em amsterdam, dias depois.
Como não podia deixar de ser, pedi uma contribuição pro Filipeta da massa...
___________________________________________

Cannabis Cup 2009

por Elton Tavares

Final de novembro, e como todos os anos, Amsterdam recebe milhares de maconheiros do mundo todo para o Cannabis Cup, que esse ano fez sua 22ª edição, organizado pela High Times. A idéia do evento é realizar não só uma competição entre coffee shops, concorrendo com diferentes tipos da massa, mas também abrir espaço para divulgação de boas práticas na utilização médica e políticas de utilização.

powerzone

Como no evento os expositores não podem vender o produto, somente nos coffee shops, normalmente o grande atrativo dos stands eram os gigantes sacos plásticos preenchidos com a massa vaporizada. Os grandes concorrentes desse ano, o Green house Seed Co. e o Barney’s Farm estavam sempre lotados para experimentar o “Super Lemon Haze” e o “Vanilla Kush”, muito bons por sinal, que foram premiados.

vai aê?

Nos 2200 m² do Powerzone, outros expositores também apostaram em métodos alternativos
pra atrair o público. O Bluebird coffee shop instalou uma mini sauna completamente preechida por maconha vaporizada, “The Vape Tent”, onde era possível entrar e em pouco tempo sair legal e defumado.


Com exposição durante cinco dias e shows no centro da cidade, o evento tem o lado bom de fumar de graça, enquanto no coffee shop se paga na média nove euros pela grama do material, por outro lado os dias do evento acabam sendo muito parecidos e vale mesmo a pena ir uns dois dias, já que os coffee shops por si só são uma grande atração da cidade, os premiados nessa categoria foram o Green House, o Barney’s, o Green Place, Dolphins e o Mellow Yellow, o autor além de recomendar fortemente os quatro primeiros ainda sugere o De Rokerij. Atenção a você que pensa em comprar o “judge pass” pro cannabis cup, não espere que vá conseguir julgar alguma coisa depois de cinco dias fumando diferentes tipos de maconha de quase trinta coffee shops, o que vale mesmo é a diversão, termo óbvio quando se fala de Amsterdam.

6 de dez. de 2009

o desafio das drogas - fhc, depois de largar...da presidência

imagem do http://www.grandesblogsta.com
clique aqui para ler o artigo completo do presidente que resolveu trabalhar no assunto das drogas depois que largou

O desafio das drogas

Eu copresidi com os ex-presidentes da Colômbia e do México, respectivamente César Gaviria e Ernesto Zedillo, a comissão latino-americana.

Nossa conclusão foi simples e direta: estamos perdendo a guerra contra as drogas e, a continuarmos com a mesma estratégia, conseguiremos apenas deslocar campos de cultivos e sedes de cartéis de umas para outras regiões, sem redução da violência e da corrupção que a indústria da droga produz.

Logo, em lugar de teimar irrefletidamente na mesma estratégia, que não tem conseguido reduzir a lucratividade e, consequentemente, o poderio da indústria da droga, por que não mudar a abordagem?

Por que não concentrar nossos esforços na redução do consumo e na diminuição dos danos causados pelo flagelo pessoal e social das drogas? Isso sem descuidar da repressão, mas dando-lhe foco: combater o crime organizado e a corrupção, em vez de botar nas cadeias muitos milhares de usuários de drogas.

(...)

É diante dessa situação que se impõem mudanças.

Primeiro: o reconhecimento de que, se há droga no morro e nos mocós das cidades, o comércio rentável da droga é obtido no asfalto.

É o consumo das classes médias e altas que fornece o dinheiro para o crime e a corrupção. Somos todos responsáveis.

Segundo: por que não "abrir o jogo", como fizemos com a aids e o tabaco, não só por intermédio de campanhas públicas pela TV, mas na conversa cotidiana nas famílias, no trabalho e nas escolas?

Por que não utilizar as experiências dos que, na cadeia ou fora dela, podem testemunhar as ilusões da euforia das drogas? Não há receitas ou respostas fáceis.

Pode-se descriminalizar o consumo, deixando o usuário livre da prisão. As experiências mais bem-sucedidas têm sido as que vêm em nome da paz, e não da guerra: é a polícia pacificadora do Rio de Janeiro, não a matadora, que leva esperança às vítimas das redes de droga.

3 de dez. de 2009

Marcha da Democracia - Sergio Vidal

Marcha da Democracia

Por Sergio Vidal, antropólogo, membro do Growroom e da Rede Ananda



“Eu morreria feliz se eu visse o Brasil cheio em seu tempo histórico de marchas. Marchas dos que não tem escola; marcha dos reprovados; marcha dos que querem amar e não podem; marcha dos que se recusam a uma obediência servil; marchas dos que se rebelam, marcha dos que querem ser e são proibidos de ser.” (Paulo Freire).

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>


Em 1946, a Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes, órgão do Governo Federal realizou o chamado Convênio Interestadual da Maconha, na cidade de Salvador. Apesar do cunho proibicionista dos debates, considerados por alguns historiadores como marcos fundadores da Guerra à Maconha no Brasil, o nome oficial do evento trazia em si exatamente este esse termo: “da Maconha”, mostrando que a expressão deve ser entendida como um evento “sobre a maconha”, e não “em favor”, ou “pró maconha”, ou pode até mesmo significar um evento de cunho “anti-maconha”, como no caso do citado Convênio. Em 2008 e 2009, eu e muitos outros organizadores das Marchas da Maconha em diversas cidades do país tivemos que prestar esclarecimentos à sociedade, autoridades e até mesmo à polícia, em alguns casos, sobre o motivo de termos escolhido a expressão Marcha “da Maconha”, uma vez que afirmávamos não fazer apologia às maconha, outras drogas, ou ao crime.

Ao argumentar para outros ativistas a necessidade política de manter o nome “Marcha da Maconha”, sempre afirmei que justamente por ser a palavra “maconha” tão carregada de estigmas, deveríamos persistir em usá-la até que algumas das idéias a seu respeito fossem debatidas e modificadas. Essa discussão não foi algo fácil dentro do movimento e não foram poucos os momentos em que as “Marchas” quase tiveram seus títulos modificados, em nome da adequação a algo mais “politicamente correto”, para nomes como “Marcha pela legalização da Maconha”, “Marcha da Cannabis” ou “Passeata Verde”.

Realmente, poderíamos ter escolhido “Marcha da Erva”, do “Dirijo”, da “Diamba”, da “Suruma” ou qualquer uma das inúmeras denominações que a planta tem pelo mundo afora, afinal, trata-se de um evento de cunho político/cultural sobre esta planta conhecida por uma infinidade de nomes e apelidos. No entanto, consideramos que seria importante reafirmar o fato de que “Maconha” também é um dos nomes mais conhecidos para referir-se, no Brasil, à planta cujas possibilidades de usos nos propomos discutir. Sempre persisti, em parte por convicção ideológica, em parte por teimosia, que só poderíamos abrir mão do nome “Marcha da Maconha”, quando já não fossemos criminalizados ou deslegitimados por o termos adotado.

Acreditava que, ainda que boa parte da sociedade ficasse chocada com o nome, aos poucos, se demonstrássemos a seriedade do nosso trabalho, o nome deixaria de ser tão importante, ao menos para a Justiça. E assim aconteceu, pois no dia 1º de setembro deste ano, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia nos deu uma prova de que essa escolha fazia algum sentido. Diante dos argumentos do Habeas Corpus impetrado no final de maio, o Tribunal de Justiça concedeu um Salvo Conduto para realizar o evento “Marcha da Maconha Salvador”, legitimando que a manifestação poderia usar esse nome, desde que seja organizada para os fins lícitos a que sempre se propôs.

Ficou claro com essa decisão que a Marcha da Maconha Salvador, que ocorrerá no próximo sábado, dia 5/12, não será um evento de cunho apologético. Esse tipo de manifestação, na verdade, deve ser vista e entendida sempre como uma reivindicação por uma cidadania plena, com direitos, deveres e responsabilidades. Com essa vitória, somada às de outras cidades como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife, e às ADPF e ADIN sobre as Marchas que tramitam no Supremo Tribunal Federal no momento, podemos afirmar que ativistas têm conseguido mais do que o direito de manifestar idéias e opiniões, mas o direito também de manifestá-las de formas livres, mesmo que essas desagradem ideológica ou moralmente uma parte da sociedade.

Apesar das censuras, da criminalização, das perseguições e de muitos outros problemas, tudo valeu a pena, na medida em que está sendo criado um contexto, senão mais favorável política ou socialmente, ao menos mais seguro juridicamente para todos os brasileiros e brasileiras que discordam da forma como atualmente são elaboradas e aplicadas as políticas e leis sobre a maconha e outras drogas. No fundo, não são manifestações como as “Marchas da Maconha” que atingem de forma nefasta a Democracia Brasileira, mas sim ações de censura, autoritarismo, abuso de poder e cerceamento de direitos fundamentais, por parte das autoridades, cujo dever seria, justamente, preservar os direitos de cidadania, mesmo que não se concorde com as reivindicações, desde que sejam feitas dentro das normas legais, como no caso das Marchas.

As Marchas apenas cumprem seu papel de serem espaços onde os cidadãos podem questionar as Leis sobre drogas e manifestar suas opiniões a respeito, dentro das regras do Estado Democrático de Direito estabelecido no país. Esse papel elas têm cumprido muito bem.

26 de nov. de 2009

o brasil na moda e a legalização das drogas - denis russo burgierman


A edição da revista inglesa The Economist da semana passada dá a medida do quanto o Brasil está na moda. Na capa, o Cristo Redentor levanta voo, sob a manchete “O Brasil decola”. Lá dentro, um especial de 14 páginas, falando de bancos, commodities, classe média, além de uma bem sacada comparação entre o Brasil e os Estados Unidos. Fora do especial, mais Brasil: uma matéria sobre Dilma, outra sobre a Geyse da Uniban. Aquela tentando entender o paradoxo de um presidente com 80% de popularidade e uma candidata que não decola, esta tentando entender o paradoxo do país do carnaval ficar histérico por causa de uma mini-saia.

No meio de tanta coisa, passou despercebida por aqui uma outra referência ao Brasil. Na matéria “Virtualmente legal”, a Economist especula que o Brasil pode ser um dos próximos países a descriminalizar o uso de drogas. A matéria é bem interessante. Ela mostra que há uma tendência fortíssima no mundo desenvolvido e na América Latina de finalmente deixar a proibição das drogas para trás.

Posse de drogas deixou de ser crime na Espanha, Portugal, Itália, República Tcheca, nos três países bálticos, na Argentina, México e Colômbia. Praticamente todos os outros países europeus, embora teoricamente mantenham a proibição, estão deixando de prender gente pelo uso de drogas. Um bom exemplo é o Reino Unido, onde a posse de maconha continua criminalizada, mas apenas 0,2% das pessoas pegas com a droga vai para a cadeia. (O Brasil não tem números confiáveis, mas também aqui usuários de maconha raramente vão presos.) Nos EUA, já são 14 os estados que adotaram a descriminalização – o mesmo aconteceu em vários estados alemães e canadenses, territórios australianos e cantões suíços.