A troca de informações sobre maconha na rede pode ser tão rápida e intensa que às vezes lhe deixa tonto. Eu, por exemplo, não sei mais onde li uma enquete muito sagaz que testava a veracidade da “teoria da escadinha” -o bicho papão dos ‘estudiosos’ do tema... aquela que afirma que maconha é a porta de entrada para o consumo de drogas pesadas, como cocaína, crack, LSD, heroína... - . Pode ter sido na
Radio Legalize ou no
Hempadão (no
Growroom e na
Rede Ananda eu lembro que não foi...) A enquete era tão simples quanto eficiente: “Qual dessas drogas você consumiu antes das outras?” (ou “Qual dessas drogas lhe serviu de porta de entrada para as outras?”... não lembro mesmo)
Fui lá e votei. E lógico que álcool ganhava fácil de LSD, cocaína e até da erva mal classificada como droga narcótica. Os motivos passam pela facilidade de conseguir essa droga assim como a aceitação cultural de crises de abstinência, quadros clínicos de overdose ou a boa e velha lógica de mercado que possibilita que produtos lucrativos sejam enfiados goela abaixo em cobaias humanas que habitem o terceiro e o quarto mundo.
Pois bem...
Foi pensando nessa enquete que eu me voltei para uma tarefa que eu combinei há muito tempo. A rapaziada da
semente de maconha, em troca da publicação de um artigo sobre alguns dos produtos que geram a receita daquela “lodjinha limpesinha” enviaram legalmente para a sede da filipetadamassa um envelope muito bem sortido.
Sedas colorizadas e com sabor.
Uma mistura de ervas que dão uma suave lombra somada a um estranhamento sensorial. E ganhou logo o apelido de ‘maconha de menina’.
E uma porção generosa dela.
A poderosa Salvia Divinorum!
Rapaz... desde que comecei a testar esse história de estado alterado da mente que esse era o negócio que eu procurava. Sem saber onde dava.
Numa bela manhã de sol, completamente relaxado, usei...
Foram 7 minutos que duraram 40....
Completamente consciente – importante ter sido guiado por um xamã amigo que conhecia de dose, de tranquilização do fumador e de segurança espacial – tive a viagem mais bonita de minha vida.
Mente, coração, corpo, ambiente, respiração, suor, tudo integrado. Impressionante. Dilatação de tempo. De consciência. De visão.
Me vi exatamente no continuum espaço-tempo. Sem passado nem presente. Nem dado ao primeiro barato que passasse como porre de cerveja. E indo além da atuante rede intergaláctica de fumadores de maconha com história.
Com Sálvia eu vivi o futuro.
felipe t. a. m.