24 de mai de 2011

entrevista com Dana Beal, um dos "pais" da Marcha da Maconha - traduzido da Cannabis Culture


Entrevista com (Irvin) Dana Beal para a Legalizace Magazine, da República Checa, por Michael Rehak.

As perguntas foram transmitidas via email para o advogado de Dana e respondidas por ele à lápis, na cadeia, enviadas por correio e transcritas em Nova Iorque por Evan Yippiel, e enviadas de volta para a Legalizace. Entrevista completa publicada na Cannabis Culture (cannabisculture.com) no blog de Ed Rosenthal. [http://cannabisculture.com/v2/node/27053]

(...)

A “Million Marijuana March” [Marcha de um Milhão pela Maconha”, em tradução livre. Ou “Worldwide Marijuana March” / “Marcha Global da Maconha”, ou simplesmente “Marcha da Maconha”] se tornou um evento padrão em muitas cidades do mundo. Em Praga, ela apresenta um número crescente de adeptos (cerca de 12.000 no ano passado). Quando e como surgiu a ideia de criar um evento global? Quando e onde a Marcha foi realizada pela primeira vez? Como você definiria objetivamente as metas da Marcha? Que tipos de atividades/agenda a Marcha significa para você e seus colegas agora?

A primeira Marcha da Maconha foi realizada em Nova Iorque, no primeiro sábado de Maio de 1998 [01/05/1998] para anunciar o lançamento da Marcha Mundial no ano seguinte. Foi organizada por Ed Rosenthal, Jack Herer, Gatewood Galbraith e Denis Peron, em resposta ao prefeito de Nova Iorque Rudolf Giuliani (que rima com Adolf Mussolini) que tentava banir completamente a nossa tradicional “Pot Parade” [Parada da Maconha], realizada anualmente desde 1972.

Estávamos decididos a alcançar os defensores da Cannabis em Londres, que tinham acabado de fazer uma marcha pela Cannabis patrocinada pelo “The Independent”, num domingo, para destacar o fato de que tínhamos menos direitos durante a administração do nosso prefeito fascista do que o povo britânico sob a administração da Rainha da Inglaterra... apesar de eles viverem numa eterna revolução contra a monarquia para ter esses direitos assegurados. As bandeiras daquela marcha foram – e ainda são – Pelo fim de todas a prisões relacionadas à Cannabis; Pelo fim das mentiras; Pela Liberdade da Medicina; Pela cura dos enfermos; Pelo fim do Estado que promove a prisão; Pela cura, não Pela Guerra. [no original: Stop All Cannabis Arrests; Stop the Lies; Release the Medicine; Heal the Sick; End the Prison State; Cures Not Wars]

Em 1999, tivemos a maior marcha de todos os tempos, a que é exibida no final do filme “Grass”. O melhor de tudo, é que nesse primeiro ano nós já estávamos estabelecidos em 36 cidades. Através (da mobilização) para as “Millenium Marijuana March” [em 2000], “The 2001 Space Odyssey” e a “LIberation Day” [de 2002], avançamos para 238 cidades. No meio dessa primeira década caímos para o ponto mais baixo de eventos registrados: 165 cidades, para daí avançar, em 2010, para 330 cidades. Esse ano, com Marc Emery e eu trancados*, provavelmente não chegaremos nem perto de nossa meta das 420 cidades. Mas nós sabemos que quando chegarmos ao nosso objetivo de ter entre 1.000 e 10.000 pessoas em cada uma de 900 cidades, uma mudança de fase vai ocorrer e o movimento pró-maconha será aceito como um movimento de direitos civis legítimo em todo lugar.

Quais são as cidades mais mobilizadas na realização da Marcha e as que registram o maior apoio à legalização?

As maiores cidades são Nimbin [na Austrália], Toronto, Roma, Buenos Aires – e Cidade do México – com Madri e Praga logo atrás. Londres costumava ter 100 mil pessoas nas ruas, entrou em colapso, e agora está se reconstruindo. Em San Francisco [EUA], também houve um colapso por conta da desarticulação das lideranças. Nova Iorque tem um problema perene com a polícia de lá. Mas uma série de outras cidades mantém a média de 1.000 a 3.000 participantes. Lembre-se que se tivéssemos 900 cidades, isso significaria um milhão de manifestantes pró-maconha em todo o mundo. O subcontinente indiano, sozinho, representa uma oportunidade fértil para adicionarmos 80 cidades [isso sem mencionar o potencial da África].

(...)

Você se lembra de algum problema grave, com a polícia ou outras (forças de repressão), que surgiu em relação à Marcha?

O pior país é a Rússia, onde mais de 15 eventos foram brutalmente reprimidos por agressões policiais. Isso pode mudar, agora que se foi Luzhkov [Prefeito de Moscou de 1992 a 2010. Famoso por reprimir manifestações populares, e ser – junto com a esposa – proprietário de 11% dos imóveis construídos na capital russa sob sua administração]. Sei que o Brasil continua tentando criminalizar as marchas, mas mesmo Sarkozy, o queridinho da Cientologia, não é capaz de reprimir o evento anual na ”Place de Bastille”.

*Dana Beal e Marc Emery estão presos. conheça mais sobre essas histórias nos sites http://www.freedanabeal.org e http://freemarc.ca/

23 de mai de 2011

20 de mai de 2011

#marchadamaconha #recife 2011

lembra da proibição? ainda não funciona
na foto, os gângsters de al capone, prontos pra vender álcool de qualquer qualidade na tora. a lição - que os ervangélicos ainda hão de entender - é que proibir não educa, nem gera justiça ou paz. (exceto no caso de tentar proibir a marcha, que só fortalece os argumentos de quem apoia movimento... eita... #chupafundamentalista !)



e a matéria no Jornal do Commercio de hoje:

Marcha da Maconha só com restrição
Ato deve terminar uma hora mais cedo para não coincidir com eventos culturais marcados para o Bairro do Recife
Acabou o suspense. Após três dias, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) decidiu não entrar com ação na Justiça para pedir a proibição da Marcha da Maconha, agendada para domingo, às 14h, no Bairro do Recife. Apesar do pedido de parlamentares evangélicos ao procurador-geral de Justiça, Agnaldo Fenelon, a passeata será realizada. Porém, com algumas exigências e restrições, como a de ter que divulgar que o uso do entorpecente é maléfico a crianças e adolescentes. Insatisfeito com a decisão do MPPE, o deputado estadual Cleiton Collins disse que a Marcha da Família será mantida para o mesmo dia. O objetivo é se contrapor ao ato em defesa da descriminalização da Cannabis sativa, nome científico da maconha.

Na última terça, os promotores receberam de Fenelon a missão de analisar se caberia ou não uma ação contra a Marcha da Maconha. Eles estavam receosos, pois o ato ocorreria no mesmo dia e local do Virada Recife Antigo, evento iniciado este ano para estimular os recifenses a frequentar o Bairro do Recife. Na reunião de ontem com os organizadores da marcha, os promotores argumentaram que, no local, estariam várias crianças. Para fechar um acordo, ficou decidido que a passeata acabará uma hora antes do outro evento, marcado para as 16h, na Praça do Arsenal. Os organizadores do ato também garantiram que não passarão pelo local do Virada Recife Antigo.

A promotora da Infância e Juventude, Jequeline Aymar, também exigiu que, na manifestação, os organizadores terão que divulgar os malefícios do uso do entorpecente para crianças e adolescentes. Desde a primeira edição no Recife, em 2008, a organização da Marcha da Maconha orienta os simpatizantes a não fumar nem portar a erva. Apenas ir às ruas pedir mudança da legislação brasileira.

"“É o papel do Ministério Público promover a justiça social para todos. Havia um outro evento, com outro público-alvo, no mesmo bairro. Os promotores queriam saber o percurso. Foi sugerida a mudança e acatamos na hora"”, relatou o jornalista Neco Tabosa, um dos organizadores da marcha. Ele contou ainda que serão distribuídos três mil panfletos com orientações sobre redução de danos.

REAÇÕES

No último dia 9, os irmãos parlamentares Anderson e André Ferreira, da Assembleia de Deus, pediram a Fenelon que agisse contra a marcha. O primeiro é deputado federal. O outro, vereador do Recife. Em seguida, os organizadores do ato lançaram na internet uma carta aberta defendendo o direito do grupo ir às ruas se manifestar pacificamente. Até ontem à noite, o movimento tinha 361 adesões. O deputado estadual Luciano Siqueira foi o único político a assinar. Depois, outros dois parlamentares evangélicos, Francisco Eurico e Adalto Santos, ambos da Universal do Reino de Deus, também pediram a Fenelon uma medida. Agora, com a decisão do MPPE de não entrar na Justiça, os contrários à passeata vão mobilizar a Marcha da Família.


e a marcha da 'família de claitoncollins' vai rolar em outro lugar. boa marcha, rapaziada! quem sabe a gente não se encontra no final? :D



13 de mai de 2011

Lista de Signatários da Petição Pela Liberdade de Expressão e Realização da Marcha da Maconha

até os pinguins tão mais ligados que os ervangélicos anti-democracia


uma petição online que vai ser levada Ao Ministério Público de Pernambuco na semana que vem. pra vc ler e, se concordar, assinar...

metous/lombra - peça já a sua! (antes que acabe*)

*e não é caô de vendedor, não. passei 7 - em cinco dias - aqui no Recife. agora tem muita regata e babylook. será que vai sobrar uma pra mim?

metous #69 - jogo dos 7 erros

(clique na imagem pra ampliar)

11 de mai de 2011

CARTA ABERTA AO POVO DE PERNAMBUCO - coletivo marcha da maconha recife

publicada aqui



CARTA ABERTA AO POVO DE PERNAMBUCO

1. A Marcha da Maconha é organizada em âmbito mundial desde 1999. Em 2011, 350 cidades - de todos os continentes - registraram seus eventos. No Brasil, são 19 cidades. Só aqui, são esperados cerca de 20.000 manifestantes pelas ruas do País.

2. O ato público denominado “Marcha da Maconha - Recife” está marcado para ser realizado – pela quarta vez consecutiva – no Bairro do Recife Antigo – na Torre Malakoff, no domingo, dia 22 de Maio de 2011, a partir das 14 horas. Esse ano, a organização promove a arrecadação de donativos para vítimas das enchentes em todo o Estado de Pernambuco. Leve sua contribuição (alimentos não perecíveis, roupas, colchões e cobertores) que o material será encaminhado a postos de coleta do Governo do Estado.

3. A passeata não faz apologia às drogas – o incentivo ao consumo, que é um crime - a Marcha da Maconha reúne cidadãos brasileiros que pedem uma mudança na atual legislação. Como fazem o Movimento LGBT, o Movimento Negro Unificado, entre outros.

4. Qualquer cidadão brasileiro pode ser contrário à Marcha da Maconha. O que não pode ser feito é tentar impedi-la de acontecer. Quem for contrário ao movimento pode, por exemplo, organizar outra marcha – em outro local – pra tentar esvaziar a Marcha da Maconha.

5. A Marcha da Maconha não é organizada por criminosos anônimos. Somos jornalistas, médicos, assistentes sociais, historiadores, religiosos, cientistas, poetas, profissionais liberais, entre outros. Para entrar em contato com a organização, basta enviar uma mensagem para marchadamaconharecife@gmail.com .

6. No Recife, desde 2008, o grupo de organizadores já participou de diversas ações para fomentar o debate na sociedade. Foram entrevistas na televisão, depoimentos em jornais, audiências públicas na Câmara de Vereadores, eventos culturais, reuniões na Secretaria de Defesa Social do Governo do Estado, etc.

7. Acreditamos que a atual legislação brasileira gera – muita – violência e corrupção. E que o governo não pode ser omisso em discutir a questão das drogas como um problema de toda a sociedade brasileira. Se você está satisfeito com o atual estado das coisas, não precisa marchar em lugar nenhum. Mas também não tente impedir que seja realizado um movimento legítimo, e que tem propostas reais de mudança para todos.

Coletivo Marcha da Maconha

Recife, 11 de Maio de 2011