12 de ago de 2009

como lançar R$ 200.000 no ralo por ano - Jornal do Commercio/recife

R$ 200.000 - do seu bolso, contribuinte - por ano pelo ralo. É o que a Polícia Federal gasta nas operações para erradicar a maconha ( :-D ) no sertão de Pernambuco e da Bahia. O saldo efetivo das operações vc lê na matéria: violência espalhada pela região. Além da alteração na cotação do quilo da erva - isso não está na matéria - mas todo mundo sabe que o preço da maconha é determinado pelas ações dos homens fardados, sempre coordenados pelo serviço de 'inteligência' da PF.

Operações da PF no Sertão levam plantadores de maconha a assaltar Correios, que concentram dinheiro e insegurança

Jorge Cavalcanti
Jorge.cavalcanti@jc.com.br

A Polícia Federal (PF) intensificou o combate ao plantio de maconha no Sertão do Estado, com o objetivo quase inatingível de impedir as sucessivas colheitas – quatro por ano – e descapitalizar o financiador das roças, peça-chave no tráfico da erva. O reforço no número de operações para erradicação, porém, levou alguns grupos a praticarem outro crime: assaltos a agências dos Correios, que hoje movimentam dinheiro em espécie, mas não contam com a segurança de uma agência bancária. Os alvos têm as mesmas características: estão situados no interior de Pernambuco e da Bahia, em municípios com pequeno efetivo policial.

De acordo com a PF, já foram contabilizadas 17 investidas contra agências no Estado este ano. O número é igual ao registrado ao longo de 2008, o que sugere que a estatística do ano anterior deve ser suplantada. A PF não divulga o valor do prejuízo. Mas os dados são corroborados pelo diagnóstico do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (Sintect-PE). Diretores da entidade visitaram as cerca de 200 unidades espalhadas por Pernambuco e constataram situação de vulnerabilidade em dezenas de municípios onde os Correios operam com valores altos, mas não possuem dispositivos como porta giratória, detector de metais e segurança privada.

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Extensão da área dificulta as operações
Publicado em 12.08.2009


A grande extensão da área favorável ao cultivo da maconha e a pequena densidade demográfica do Sertão pernambucano são as duas principais dificuldades enfrentadas pela Polícia Federal no combate à plantação da erva. O delegado da PF em Salgueiro, Guilherme Torres, avalia como eficiente a política de erradicação, com o aumento de duas para quatro operações por ano ao custo médio de R$ 50 mil cada, mas reconhece o caráter inatingível na tarefa de erradicar o plantio da erva. Na semana passada, a PF deflagrou a terceira ação deste ano, simultaneamente em Pernambuco e na Bahia, com 60 policiais e o auxílio de dois helicópteros.

Pode-se encontrar roças de maconha em toda a extensão de terra dos quatro municípios pernambucanos às margens do São Francisco – Petrolina, Santa Maria da Boa Vista, Cabrobó e Petrolândia – ou em qualquer outro terreno irrigado. As ilhotas do rio também se mostram férteis para o cultivo, o que eleva ainda mais a dificuldade para identificar, cortar e incinerar os pés da planta. Durante duas semanas de operação, a jornada começa cedo. Por volta das 6h30, os policiais seguem de Salgueiro para a base no município vizinho de Orocó, improvisada no terraço de um bar à beira do rio. Só retornam no fim do dia. Cada policial destacado para a ação recebe uma diária de R$ 170, para custear hospedagem e alimentação.

Os helicópteros levantam voo, identificam os plantios e remetem a localização para base, via aparelho GPS (sigla em inglês para Sistema de Posicionamento Global). Do alto, o verde da maconha se diferencia do tom da caatinga. A depender do local das roças, os policiais vão de aeronave, barcos ou caminhonete. Aos poucos, formam-se montanhas de pés, depois incineradas com óleo diesel. Apesar do forte armamento da PF, é raro o disparo de um único tiro. Em quase todas as vezes, também não há prisão. A movimentação de tantos policiais, veículos e helicópteros quebra a rotina do Sertão e alerta os agricultores. Enquanto a PF está na área, eles não vão às roças.

A operação registrou até a última segunda-feira resultado parcial de 246 mil pés destruídos em Pernambuco, o que equivale a 82 toneladas. A PF calcula três pés para cada quilo da planta. Torres explica que não se deve comparar os números de uma operação com os de uma anterior. O ideal é fazer o comparativo com a mesma época do ano, o que explica a variação das últimas três operações. “O período do ano e a intensidade da chuva são fatores que influenciam na plantação”, diz.

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